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O OLHAR DA CRIANÇA: o que entendemos de infância?

A maior parte das minhas memórias infantis são agradáveis e alegres.

Crescemos, meus irmãos e eu, em uma família em que a relação entre ensinar e aprender sempre foi muito prazerosa, diversos estímulos sempre nos rodearam: mãe pedagoga e seus livros infantis, pai médico com suas histórias incríveis e jogos de adivinha, avós professores, escola de ensino fundamental com perspectiva crítica, além das muitas outras oportunidades que tivemos para crescer e nos desenvolver.

O privilégio de uma infância saudável e cheia de estímulos, com certeza ajudou para que hoje tenha interesse e paixão por este universo tão encantador (sou eu na foto, aos 5!).

Parece mais fácil trabalhar com crianças, não é mesmo? Algumas colegas psicólogas e professoras de Educação Infantil relatam com frequência que se sentem incomodadas pelo modo como algumas mães referem-se a elas ou à escola nesta fase como mais um “passatempo de brincadeiras”.

Para refletirmos um pouco sobre estas questões, um conceito que merece nossa atenção é o próprio conceito de infância.

A ideia das crianças serem caracterizadas, muitas vezes, como pessoas que não sabem dizer o que pensam e sentem, tem elementos muito antigos. O termo INFÂNCIA tem o sentido de não-fala (in-fans). Sua origem remete aos períodos clássico e medieval, época em que as crianças eram vistas como seres com tendências selvagens e depois como representantes da natureza pecadora do homem.

Ainda hoje, podem ser vistos, em  todo o mundo, concepções e visões divergentes em relação à própria infância. Concepções que têm pesos políticos diferentes, que alimentam ideias divergentes sobre as habilidades e necessidades das crianças. Assim, são estabelecidas metas diversificadas de trabalho nas escolas e na concepção de educação de cada família.

Alguns autores acreditam que as crianças sejam encaradas pelos adultos como objeto de sua proteção, de seu controle, de maneira que infância acaba não sendo dita por si, mas pelos outros.

Respeitamos as diversidades, os modos diferentes de encarar a infância, mas na qualidade de estudiosos do desenvolvimento humano, sabemos que os estudos podem nos auxiliar sobremaneira a repensarmos nossos olhares e nossas crenças.

Este espaço quer dar vez e voz às crianças!