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Como escolher a “melhor” escola? Breves reflexões…

31 janeiro, 2015, Paula Saretta Momento Psicóloga 5


Como escolher a “melhor” escola? Breves reflexões…

POR Paula Saretta*

Para ajudá-los a refletir sobre a “melhor” escola, pelo menos para você e sua família, vou começar dizendo que acredito que exista sim uma grande diferença entre as escolas, inclusive no que se refere ao objetivo principal dessa instituição – a formação de pessoas (que tipo de pessoa pretendem formar? Quais caminhos os levarão para isso? etc.).

Primeiro ponto que acho importante em um texto que se pretende curto e apenas inspirador de reflexões, é entendermos que a escola parte de diferentes olhares sobre o desenvolvimento humano para que seja possível planejar os caminhos que irá seguir. Explico melhor: as propostas pedagógicas são pensadas a partir de definições do que se entende por criança, por infância, por processo de ensino-aprendizagem, etc. E, geralmente, não há uma única teoria por trás disso. Em sala de aula, os professores utilizam de vários conhecimentos diferentes e estão o tempo todo estudando novos olhares e novos caminhos…

Quando falamos de caminhos, estamos falando de metodologias de ensino. Isso significa que as instituições de ensino, a partir de alguns estudiosos do desenvolvimento humano, começaram a entender melhor os processos de pensamento, os modos de aprender (etc.) e passaram a pensar em propostas pedagógicas compatíveis com alguns de seus postulados teóricos.

Assim, se a escola deixa crianças de 4 anos mais tempo em sala de aula com exercícios na mesinha, do que brincando ao ar livre, por exemplo, pode-se deduzir o que ela valoriza em termos de investimento e promoção do desenvolvimento.

Mesmo que a escola defenda uma coisa e, na prática, faça outra… Se você observar a sala de aula das escolas de Educação Infantil, alguns conceitos ficam bem evidentes. Por exemplo, observe se as crianças têm acesso aos materiais, aos brinquedos, se os móveis são de sua altura, etc. Se sim, podemos supor que a escola valoriza alguns conceitos que podem ser importantes para você, como a autonomia das crianças, por exemplo. Existem vários autores que corroboram com as mesmas ideias. Mas, para dar um exemplo, a educadora italiana Maria Montessori*, no início do séc. XX, valorizava as condições de aprendizagem das crianças, por meio de atividades instigantes e que despertassem curiosidade nelas e, por isso, as escolas montessorianas entendem a liberdade de escolha, concentração nas atividades, etc. como premissas importantes.

Quando nos referimos aos berçários, quando forem visitá-los, observem, por exemplo, se os bebês estão em cadeirinhas/bebê conforto/colo a maior parte do tempo… Ou se há espaço para elas se movimentarem no chão/tapete (limpo e higienizado, lógico!). Ou seja, além da higiene e do respeito por cada individuo, que é único e singular sempre, nos berçários é interessante verificar se os bebês são entendidos como seres competentes e capazes. Isso pode ser demonstrado no modo como as atividades são planejadas e no trato com os bebês (se há respeito, se referindo diretamente à eles, antecipando o que vai ser feito, etc.).

Outro exemplo, se a escola compreende o ensino e aprendizagem como um processo, o aluno como construtor do conhecimento e não como alguém passivo e obediente, em tese, estamos nos referindo às escolas que defendem uma linha chamada de construtivista.

A meu ver, independentemente de como a escola se reconhece, devemos observar se os professores instigam a criança a pensar e não a ser mero reprodutor de conhecimentos. Se as aprendizagens são significativas e, principalmente, se seu filho(a) parece estar envolvido emocionalmente com o que está conhecendo/aprendendo. Como é o ambiente da escola? É um ambiente respeitoso, afetivo? Há como aprender sem se sentir querido, acolhido ou livre para expressar seus sentimentos e pensamentos? Há como aprender em um ambiente em que não há trocas, em que somente existe um grande “sabedor de tudo” e que você e seus pensamentos são considerados irrelevantes?

Escolas que os ensinem a pensar e a refletir sobre as belezas e mazelas da vida, não os ensinem apenas a buscar as melhores respostas, mas sim a fazer boas e curiosas perguntas…

Em outras palavras, quando ficamos na dúvida do melhor método de ensino, na verdade, estamos nos referindo ao modo como a escola entende a criança, como ela aprende, pensa, brinca, o que ela necessita como prioridade, quais as suas necessidades, etc. Mas, como tudo na vida, antes de mais nada, precisamos saber como nós entendemos tudo isso. Como queremos formar nossos filhos. O que queremos que eles sejam. Como queremos que eles se insiram no mundo.

A escola e a família são responsáveis pela educação da criança. Cada uma com suas especificidades. Mas as duas educam, o tempo todo. Agora é com você: o que você quer para seu filho(a)? Quem você quer educar/formar?

Reflita antes. Pesquise bastante. Certamente você fará uma escolha consciente se isso acontecer.

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* A escrita deste texto teve como desencadeador o pedido da Patrícia, do blog “Ninguém cresce sozinho”, que me pediu que escrevesse sobre a escolha da “melhor” escola a partir dos métodos de ensino. Isso porque uma leitora do seu blog estava em dúvida entre as escolas montessorianas e as ditas construtivistas. Por isso usei estes dois exemplos no texto.

* Paula Saretta é psicóloga. Doutora em Educação pela Unicamp. Mestre em Psicologia Escolar pela PUC-Campinas e aperfeiçoada em Queixa Escolar pela USP. Formadora de professores e consultora em Educação e Psicologia. Fundadora do site/blog Ouvindo Crianças.

  • http://dina dina saretta

    Paula,tive em Ribeirao Preto,onde nasci, e passei minha infancia e adolescencia,o privilegio de estudar em uma escola baseada nos ensinamentos de Maria Montessori.Para mim,um processo ,que tenho certeza,me marcou pelo resto da vida!!! E minha mae nem sabia disso!!!!!!!!!!!!! Era tudo muito novo!!!!!!!!!!!!!!

  • NinguémCresceSozinho

    Paula, obrigada pela clareza de seu texto!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Que bom que gostou! beijos