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POST-CONVITE “Mães” – Porque perfeição não existe! Ou existe?

5 maio, 2014, Paula Saretta Momento Psicóloga 16


POST-CONVITE “Mães” – Porque perfeição não existe! Ou existe?

Preparação para POST ESPECIAL – “Mães”

Porque perfeição não existe!

Há alguns meses, postei aqui um texto chamado “Ser mãe é…(para quem tem medo de errar)”. Naquela oportunidade, falei basicamente que ser mãe é exatamente ser quem a gente é! Ou seja, é encarar nossos olhares para o mundo, nossos preconceitos e nosso modo de pensar a vida. Lá eu digo e aqui repito: talvez uma única uma verdade que todos nós temos é de que todo mundo vai errar sempre e que a intenção de acertar, a entrega, a dedicação em tentar com consciência e reflexão crítica, é o que vale!

Apesar de sabermos claramente tudo isso, é inevitável o sentimento de insegurança diante de algo novo, que é cuidar, proteger e educar um filho. Talvez seja por isso que todo palpite (e olha que são muitos, o tempo todo!!!), pode mexer e desestabilizar o que já está demasiadamente frágil e vulnerável.

A impressão que dá, quando ouço relatos de mães tristes, seja porque não conseguiram amamentar como gostariam, seja porque o parto não foi como idealizaram ou porque escolheram colocar o bebê na escola e sentem-se culpadas, etc., é de que não são boas o suficiente, que não são mães dedicadas e que estão, o tempo todo, tomando decisões erradas.

Quero deixar claro que, na minha visão pessoal, é uma grande privilegiada a pessoa que consegue (no sentido físico e emocional) dedicar grande parte do seu tempo para seu bebê. Sem a menor dúvida, o ganho, principalmente em termos de vínculo afetivo que será criado entre mãe e filho, provavelmente será incrível e intenso. Certamente defendo e concordo com essas escolhas nos primeiros anos de vida do bebê.

Mas, será que todas conseguem? Quando falo em “conseguir”, penso do ponto de vista emocional, principalmente. Há que se ter disponibilidade emocional para isso. Não é fácil. É algo construído, cotidianamente, com paciência e dedicação.

O que chama a atenção é que criticamos, na maior tranquilidade, as mães que fazem opções diferentes das que julgamos corretas… Entendam! Não estou fazendo nenhuma defesa do que é certo e errado, pelo contrário, estou tentando dizer exatamente isso: não há certo e errado! O que VOCÊ considera como melhor opção, no seu arranjo familiar, a partir de suas condições emocionais, financeiras, etc.?

A crença de fracasso ou o sentimento de incompetência do papel de mãe, que muitas vezes é instalada logo nos primeiros meses de vida do bebê, pode afastar as mulheres que temem errar e, assim, tendem a “terceirizar” cada vez mais os cuidados com seu filho. Para que insistir em algo que você não sabe fazer, não é?

Tudo isso, a meu ver, pode ser fruto dessa pressão social intensa do que é o certo fazer ou como é certo agir. O que importa, pelo menos na minha opinião, é ter plena consciência e segurança de suas ações, é estar preparada para responder, se alguém perguntar (com certeza irão!) os motivos da escolha da SUA família.

Lógico que não falo de pessoas que negligenciam a educação dos filhos e cometem violências simbólicas ou físicas sérias. Certamente essas pessoas não são nossos leitores! Como eu sei? Ah! Só o fato de você estar aí, do outro lado da tela, pensando sobre o que estamos aqui conversando, já diz de quem é você! Já nos parece um grande indício de que está tentando, a seu modo, fazer as escolhas que lhe parecem mais acertadas…

Sendo assim, sem ofensas às mães que se consideram perfeitas. Mas aqui assumimos, com todas as letras, que perfeição, neste sentido, não existe! Cada um oferece o que pode, o que tem, dentro de suas limitações e potencialidades.

Também nos parece evidente que, não estaríamos aqui, se não acreditássemos em mudanças de comportamentos e novas aprendizagens. Porém entendemos que, antes de mais nada, é preciso respeitar as escolhas de todas e de todos…

E se depois você se arrepender porque fez a “escolha errada”? Por favor, não se martirize por isso! Antes, faça algumas perguntas para si mesma: você se informou suficientemente antes de tomar a decisão? Naquele momento, pelas suas condições (emocionais, financeiras, etc.) pareceu correto? Você ficou contente com sua dedicação e entrega emocional quando fez a escolha?

Se a sua resposta for SIM para qualquer uma das perguntas, então, siga em frente confiante! Acredite em você! E ponto.

Aqui o espaço é de todos! O convite é para que assumamos nossas fragilidades e dificuldades. E mais ainda que simplesmente assumir, temos que constantemente cuidar ou “tratar da nossa presença no mundo”. Unindo, para nunca mais separar, reflexão crítica + autoconhecimento. Certamente uma busca para toda a vida e para todos os outros papéis que nos propusermos a desempenhar.

A perfeição
O que me tranqüiliza
é que tudo o que existe,
existe com uma precisão absoluta.
O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete
não transborda nem uma fração de milímetro
além do tamanho de uma cabeça de alfinete.
Tudo o que existe é de uma grande exatidão.
Pena é que a maior parte do que existe
com essa exatidão
nos é tecnicamente invisível.
O bom é que a verdade chega a nós
como um sentido secreto das coisas.
Nós terminamos adivinhando, confusos,
a perfeição.

Clarice Lispector

Existe algo mais tecnicamente perfeito do que a possibilidade da vida ser gerada dentro de uma mulher? Tem algo mais sublime? Perfeição, neste outro sentido, existe sim!

Pensando nisso, proponho um desafio para mamães mais experientes, que vai virar um post no domingo (11/05):  “Se você pudesse voltar no tempo, o que faria diferente na educação do seu 1o filho? Que conselhos daria para uma mãe de 1a viagem?”  

Deixe seu comentário aqui, na página do facebook ou me envie por email se não quiser se identificar: paula@ouvindocriancas.com.br. Como sempre, vou adorar cada uma das respostas! 

 ___________

* Paula Saretta é psicóloga. Doutora em Educação pela Unicamp. Mestre em Psicologia Escolar pela PUC-Campinas. Aperfeiçoada em Queixa Escolar pela USP. Formadora de professores e Consultora em Psicologia e Educação. Fundadora do site/blog Ouvindo Crianças.

  • Camila

    Excelente texto, Paula!!
    Me vi bastante nas suas palavras.
    Quando a Marcela nasceu, era muito insegura e achava que todo mundo sabia cuidar dela, menos eu, por isso ouvia tudo que me diziam. Até que resolvi ouvir “só” o pediatra, meu coração e a opinião do meu marido ( na maioria das vezes.. hehe).
    Hojee sinto mãe de verdade. Estou muito mais segura e confiante!!
    Beijos.
    Camila

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Cacá, minha querida! Obrigada! Fiquei muito feliz que gostou, fiz pensando mesmo em você e nas mães que passam por toda essa pressão social! beijo grande e saudades

  • Daniela

    Paulinha, adorei! Sou bem mais confiante agora, depois de dois filhos! rs Acho que o que eu não faria de novo é o exagero com cuidados para o bebê não se machucar ou cair… Os dois ficavam muito tempo em cadeirinhas, porque tinha medo de colocar no chão… Isso eu mudaria com certeza! beijos

  • Mariana Santos

    Eu não deixaria o bebê tão cedo na creche. Tive que voltar a trabalhar e coloquei com 4 meses e meio… Quando ele fez um ano eu me arrependi, tirei da escola e fiquei mais tempo em casa. Não faria isso de novo! Foi um stress na época…

  • Marisa de Oliveira

    Não me arrependo de quase nada. Mas se eu pudesse voltar no tempo teria deixado meu filho dormir mais na minha cama. Toda vez que ele acordava eu levava de volta pra cama dele. Hoje ele tem 20 anos e sinto falta de quando era criança!

  • Débora Nascimento

    Acho que eu teria saído de casa mais vezes. Fiquei com medo de sair com meu filho sozinha até quase um ano da vida dele. Se não tinha ninguém junto, ficava em casa. Isso eu me arrependo.

  • Regina Célia Miller Pereira Leite

    Querida Paula!! Fantástico texto!!
    Com certeza todas mães em algum momento tiveram inseguranças e preocupações em educar, colocar limites em seus filhos, muitas vezes se achando incapaz. Posso dizer que a maternidade é algo sublime, sentimentos inexplicáveis que a cada dia nos acrescentam .É maravilhoso , desde o momento da notícia que um novo ser vai se desenvolver até seu nascimento e por toda vida. Cada dia é uma nova experiencia, cheia de alegria e amor.
    Querida, aproveito para parabenizar e desejar que todo esse processo seja maravilhoso e muito feliz a voce. Bjssss
    Re

  • Célia Cristina

    Paula, eu adorei esse texto. Como sempre! Pensei muito em mim, em como era insegura e medrosa. Fiz muitas coisas que não faria se tivesse outro filho… Mas uma coisa é certeza que não faria de novo, foi me deixar de lado e não me cuidar. Engordei muito na gravidez e deixei a situação só piorar… Demorei muito pra perceber que não precisa ser assim. Mas ser mãe é a experiência mais incrível da minha vida. Todos os dias só agradeço pelo meu filho e minha família. beijos

  • Daniela Martins

    Adorei e concordo quando diz que não há um modelo perfeito. Na vida não há modelos somos todos diferentes. ..mas o importante é dar o que se acredita e pode de melhor. A melhor escola para o meu filho nem sempre é a melhor do bairro da cidade e sim a que eu possa pagar. ..e não ficar se cobrando por não ter condições de pagar isso ou aquilo. É mais importante mostrar para nossos filhos nossas limitações e estar presente dando atenção e carinho do que gastar fortunas com eles e estar sempre ocupadas…meu filhoé meu mmaior tesouro. Quero estar sempre com ele mas preparando ele para o mundo e para ele vencer mesmo quando eu não estiver mais ao seu lado.

  • Juliana

    O meu arrependimento foi não ter dedicado mais tempo a Marina… Apesar de diminuir meu ritmo de trabalho depois que ela nasceu, confesso que tinha um certo pânico de ficar sozinha com ela, por insegurança, talvez, mas com isso perdi, por exemplo seus primeiros passinhos… Depois do nascimento da Giovana diminui ainda mais meu ritmo de trabalho e essa semana ela andou pela primeira vez e lá estava eu, pronta para aplaudir!!!
    Não é fácil ser mãe, pior ainda uma mãe perfeita, o importante é conseguirmos perceber o que está errado para que possamos corrigir a tempo!
    Lindo texto!
    Beijos

  • dina

    Paula, não sei se me arrependo. Acredito que sim! A única certeza que tenho hoje (já vovó) pensando na 1a filha é que tenho uma filha maravilhosa, a Roberta. Méritos dela, com certeza e um pouquinho da mãe!!!! Amo meus três filhos!! Superaram-me em tudo!!!!

  • Dani Freitas

    Paula, me vi nas suas palavras, principalmente quando meu filho nasceu. Ele está agora com 4 anos e vivo me arrependendo de muitas coisas. Na verdade, o que mais me arrependo é de não ter confiado em mim mesma, na minha intuição. Teve uma vez que ele estava com uma tosse estranha e demorei muito para procurar um médico porque todo mundo dizia que era exagero meu. Quando levei, depois de uns dias, o médico ficou super bravo comigo dizendo que poderia ser algo grave… Nunca mais fiz isso. Hoje confio muito mais em mim, mas não é fácil lidar com os palpites que aparecem… beijos

  • Tatiana

    Esse blog nos enriquecem muito!
    Curti demais a gravidez, parto e maternidade do Gabriel! Nunca tive a pretensão de ser a mãe perfeita… sei que errei muito! Mas a culpa é uma má companheira! Sempre procurei voltar no que “deu errado” e dar um colo a mim mesma, entendendo e aceitando como escolhi ir por aquele caminho naquele momento, com minha inexperiência e limitações.
    O que eu faria diferente, certamente, é não ficar tão obcecada em fazer o Gabriel dormir quando acordava durante a noite! Eu ficava andando com ele loucamente, em vez de aproveitar e interagir com ele, curti-lo. Já que ninguém vai fazer comida ou lavar roupa de madrugada, né? E quando o bebê dorme, a gente dorme junto, no começo. De dia ou de noite. Simples assim!
    Com a Larissa estou aproveitando esses nossos momentos exclusivos noturnos, apesar do cansaço.
    Feliz Dia das Mães a todas as mamães!!!