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Pais (im)perfeitos: algumas lições aprendidas

6 janeiro, 2014, Paula Saretta Momento Psicóloga 0


Pais (im)perfeitos: algumas lições aprendidas

Por Paula Saretta e Ana Maria Bastos

Mais do que entender, confiar e acreditar na capacidade dos bebês em encontrar seu lugar no mundo, deixando-o livre para descobrir, explorar, conhecer por si mesmo as coisas que os cercam pode não ser tão fácil quanto parece. Não é fácil deixá-los livres, queremos protegê-los, ajudá-los, etc.

O exercício de olhar a criança como única e enxergá-la como uma pessoa diferente de você, faz com que você entenda seu papel na linda tarefa de ajudá-la a crescer. Mas crescer nem sempre é prazeroso. Muitas vezes dói. Dói em você, dói nela. Dá vontade de ceder. Dá vontade de fazer por ela, de proteger.

Mas nosso papel de adultos é exatamente de ajudar as crianças a desenvolverem as suas capacidades e a se inserirem, da melhor maneira possível, no mundo que a cerca.

Vamos sempre voltar nesse tema de proteção e controle, que foi um dos tópicos mais procurados por aqui. Qual a medida exata? Como agir? Mas, para começar o ano, reunimos 4 grandes aprendizados ou lições das mães e pais que conversamos ao longo do ano, principalmente de crianças pequenas. Além do nosso lema maior que é aprender a ouvir a criança, ouvir suas necessidades emocionais, pensamos em mais alguns tópicos. Vejam se concordam e, se quiserem, acrescentem os de vocês também!

1. Aprender a esperar, antes de fazer apressadamente as coisas no lugar da criança, em especial da criança pequena.

Ah! Como é difícil nos conter para não “ajudar” muito uma criança, para não interrompê-la em suas descobertas no seu próprio ritmo… Para respeitar seu tempo.

Por exemplo, se você não se precipitar para ajudar a criança pequena a descer do sofá ela, certamente, vai achar a solução por si mesma e conseguirá descer sem problemas.

Um outro ponto que tem relação com isso, é a ideia dar ordens o tempo todo de como as coisas devem ser feitas, a partir do seu ponto de vista, do ritmo do adulto. Pensamos e já dissemos por aqui que ser autoritário não implica apenas em ser alguém que impõe regras agressivamente, mas também pode ser considerado autoritário o adulto que faz tudo pela criança, que sempre diz o que deve ser feito, no momento que ele (adulto) decidir, quiser, mesmo que de forma doce. Autoritarismo tantas vezes velado por uma ideia de cuidados excessivos e de superproteção.

Por exemplo, quando você pede para ela parar de brincar com algo que estava concentrada e se divertindo, para tomar banho ou fazer outra coisa. Pense, coloque-se no lugar da criança cada vez que tirar um brinquedo de sua mão, interrompendo sua brincadeira… Imagine como você se sente quando alguém faz o mesmo com você. Por exemplo, quando está lendo algo que realmente está lhe interessando e chega alguém, muitas vezes aos berros, arrancando o livro de sua mão… Chato, não?! Não dá para ser de outro jeito?

2. Aprender a pensar a longo prazo, mesmo que a solução imediata seja a mais confortável.

Educar é pensar a longo prazo, mesmo respeitando todas as especificidades das crianças pequenas. Ah… Se todos os pais soubessem o bem que estão fazendo aos filhos quando dizem “não” por mais um brinquedo que ele já tem ou se recusam a ceder todas as vezes que ele chora para conquistar algo que, naquele momento, parece impossível ou que você discorda…Certamente falariam mais vezes…Sem culpa. Sem drama.

Gostaríamos que nossos filhos nos achassem sempre os pais mais legais do mundo, né?! Tarefa difícil, muitas vezes, resistir ao prazer aparente e às soluções imediatas, mas é preciso tentar olhar a longo prazo. Pergunte-se: quem queremos e estamos formando?

3. Aprender a dividir responsabilidades com outros adultos responsáveis.

Mesmo com as mães/pais solteiros existem, muitas vezes, outros adultos envolvidos na educação das crianças, a escola, a avó, a babá, etc. Se você não está sozinha nesta tarefa de educar, que tal contar realmente um com o outro?

Todos temos necessidade de descansar das nossas crianças de vez em quando. O mais curioso é que quando elas crescerem, provavelmente, terão necessidade de descansar um pouco de nós!

4. Aprender a olhar para si e lidar com nossas incertezas.

Muitas vezes não podemos saber se estamos agindo certo, tomando as decisões mais corretas, mesmo porque, não há uma única boa solução, mas várias possíveis, cada uma com suas vantagens e desvantagens. É preciso colocar na balança e pensar o que para você faz mais sentido.

Mas, relaxe um pouco. Nem tudo depende de você! Então, confie no seu filho e em você também. Confie! Confie!

Não há um jeito mais eficiente de educar e ajudar o outro, do que mergulharmos fundo dentro de nós mesmos. Mudando e refletindo sobre nossos olhares para o mundo. Nossas crenças de maternidade/paternidade, o que esperávamos deles (filhos) e quem eles realmente são. Acredite! A criança é ativa e vai se esforçar para tirar o melhor proveito possível de tudo que você lhe oferecer. Fiquemos com um trechinho do que diz o psicanalista inglês Winnicott (1896-1971) para refletirmos um pouco mais em tudo isso…

“Há pessoas que pensam que a criança é como argila nas mãos do oleiro.

Começam a moldar o bebê e a sentir responsáveis pelo resultado.

Não é bem assim. Se é isso que você sente, acabará arrasada por responsabilidades que não precisa assumir de modo algum.

Se você aceitar a ideia de que o bebê existe por si mesmo, será então livre para ter um grande interesse na observação do que acontece, quando o bebê começa a crescer, ficando muito feliz em satisfazer as necessidades dele”

D. W. Winnicott em L’Enfant et sa famille (1957)

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E você? Quais as lições que 2013 deixou para você como mães e pais? Quer dividir? Adoraremos ouvi-los, como sempre!

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