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Amor que vai…

25 novembro, 2013, Paula Saretta Dicas de Blogs 0


Amor que vai…

POR Paula Saretta*

O mundo das mães e pais narrado na internet deixou de ser tendência para ser uma realidade desse nosso tempo. Há uma quantidade enorme de blogs e histórias do cotidiano contadas, compartilhadas e refletidas na chamada “blogosfera materna”. Costumo ler alguns textos e recebo, com certa frequência, indicações de blogs de mães e pais que, no anseio de dividir um pouco de sua experiência, acabam ajudando outros tantos que passam por coisas muito parecidas. As histórias são diferentes, o modo de enxergar a vida, por vezes, também… Mas o que parece comum e acolhedor são os sentimentos partilhados, a sensação de que você não está sozinha(o) nessa experiência incrível e arrebatadora de constituir-se como mãe ou pai.

Recentemente uma amiga me recomendou um novo endereço. Digo, sem medo de parecer piegas, que considero um tesouro. Um blog em forma de cartas*. Um pai que resolveu escrever para os filhos, como quem deixa uma herança do mais puro e verdadeiro amor. O autor capta alguns momentos em fotos e depois escreve, lindamente, sobre o que seus olhos conseguem enxergar. Comovente. Belo. Delicado.

Não conheço o autor, mas já o agradeci por isso. Já agradeci por colocar em palavras o que seus olhos conseguem enxergar. Por vezes disse aqui que devemos cuidar do nosso olhar para o mundo, pois são eles que vamos emprestar para nossas crianças por um tempo importante de suas vidas… E Pedro (o autor) consegue traduzir exatamente o que estava tentando dizer…

De tantas cartas comoventes, uma em especial, a que ele escreve no aniversário de 5 anos do seu filho João, me emocionou muito. Vejam só (o texto foi reproduzido com a autorização do autor, logicamente! – clique aqui se quiser ler direto no blog):

João,

é pelos seus olhos que enxergo os melhores horizontes. Na sua maneira de lidar com seus amigos. No jeito peculiar que tem de questionar, buscar, descobrir algo novo. É naquilo que está à sua frente que tento me colocar ora como um estímulo (porque tem passos maiores que a perna que dão um pouco de medo mesmo), ora como uma barreira (para protegê-lo do desconhecido, esse monstro com cabelos nas narinas), ora como um silencioso observador (que prefere vê-lo fazer, já, os próprios caminhos). Diante de você, sobretudo, me coloco à disposição. Talvez este tenha sido o maior aprendizado. O que antes era compromisso importantíssimo (lembra dessa época?) torna-se rapidamente um cancelamento, caso você demande algo de mim. O que antes era inadiável, pode tornar-se inexistente na minha agenda, pois a prioridade é você. O que antes era “preciso fazer isso” (assim, afirmativo) tornou-se “preciso mesmo fazer isso?”, esta questão que coloca na balança o que realmente importa.
O que realmente importa, filho, é você.

Vê?
Estou disponível. Estou por sua conta. Tenho tempo. O tempo que você quiser.
Hoje, filho, o tempo me diz que estamos comemorando os seus cinco anos. Cinco. Você é um pequeno grande ser humano, com uma personalidade notável. Você é uma das crianças mais amorosas que conheço. Tenho tempo para o seu amor, o tempo que for. Mas saiba que tenho tempos e tempos e tempos à disposição. Para os seus desamores, dúvidas, vontades, percepções, raivas, quereres, buscas, irracionalidades, pensamentos soltos, brincadeiras, papos sérios, sofrimentos, conquistas, passos além, passos para trás.

Conte comigo, filho. Para tudo que vir, para tudo que vier.

Por todos os anos. E para terminar com a frase que permeia nossa existência até aqui, que define o tamanho exato do tempo, da importância de tê-lo como filho, do horizonte que vejo pelos seus olhos:

– Te amo mais que tudo nesse mundo.

Do seu pai,

Pedro”.

É por isso este post. Na verdade, era só a resposta do meu e-mail para o autor, mas que se estendeu em homenagem e resolvi publicizar para vocês também conhecerem este blog lindo e sensível…

Pedro,

sim, o amor é contagioso, como você disse em uma das cartas para seus filhos. Obrigada por ter aberto as portas para desconhecidos, como eu e mais tantos outros leitores que, certamente, se beneficiarão desse seu olhar para o mundo. Ah! Não se preocupe, sua família não só está preservada, como você deseja em suas cartas, como também me parece unida para espalhar amor… “Amor vai”, como você disse. Vai, se espalha, se multiplica. Cura e, tantas vezes, salva.

Obrigada por compartilhar seus textos,

Paula.

______________

*O blog chama-se “Do Seu Pai” – http://www.pedrinhofonseca.com/doseupai/ do autor Pedro Fonseca (contato: doseupai@pedrinhofonseca.com.br)

* Paula Saretta é psicóloga. Doutora em Educação pela Unicamp. Mestre em Psicologia Escolar pela PUC-Campinas. Aperfeiçoada em Queixa Escolar pela USP. Formadora de professores e Consultora em Psicologia e Educação. Fundadora do site/blog Ouvindo Crianças.