Dicas de livros infantis

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Os adultos também têm medos?

13 agosto, 2013, Paula Saretta Dicas de livros infantis 3


Os adultos também têm medos?

POR Paula Saretta*

É engraçado pensar que as crianças pequenas acham que alguns sentimentos e necessidades emocionais são exclusivas delas.

Certa vez, conversando com uma criança de 7 anos, o Lucas, ouvi uma frase curiosa. Ele disse que achava que quando crescesse, não teria mais medos.

O assunto surgiu porque estávamos lendo um livro que considero muito interessante para falarmos sobre medos e angustias com os pequenos. O nome do livro é “Gildo”, da Silvana Rando, autora e ilustradora paulista, editado pela Brinque-book. Além das ilustrações serem lindas (imagem em destaque), a história possibilita boas conversas com as crianças sobre os seus e os nossos medos.

Gildo é um elefante muito corajoso, mas tem medo de bexigas. Depois de uma festa de aniversário, ele começa a aprender a conviver com o que lhe aflige. Quando Lucas ouviu a história pela primeira vez, logo falou: “eu não tenho coragem de andar de motanha-russa! Eu tenho medo de escuro e de ficar sozinho”. Quando foi minha vez de falar, disse: “também tenho medo de escuro às vezes”. Ele olhou espantado e falou: “Você?”. E completou: “Quando eu crescer, não vou mais ter medo!”

“Adultos não têm mais medos?” – perguntei. Lucas sorriu e disse: “Não!” Aí eu disse: “Mas sou adulta e  tenho muitos medos ainda”.

Um pouco desapontado, perguntou: “Vou ter medo até morrer?”. Respondi: “Sim. Mas você pode aprender a conviver com eles, assim como o Gildo fez com as bexigas”.

Mas, como? Lucas queria muito saber.

Tivemos uma ideia: pegamos um papel sulfite e separamos em duas partes. Fizemos uma lista de medos de um lado e uma lista de “antídotos” (Lucas que sugeriu o uso desta palavra), de outro.

Aí, de um lado da folha, ele escreveu que tinha medo de quarto escuro. Do outro, desenhou um abajur azul enorme e disse que tinha que ficar aceso a noite toda. Logo abaixo, desenhou somente ele e disse que era para representar seu medo de ficar sozinho na escola, na hora de ir embora. Para “resolver” esse medo, pensamos em contar para seus pais e pedir que eles não mais se atrasassem para buscá-lo. Ele pareceu satisfeito com a decisão e desenhou seus pais do outro lado da folha.

Só de poder falar e se sentir acolhido em seus medos, já deixou Lucas bem mais tranquilo. Colou o desenho em seu armário, sorriu em tom de agradecimento e foi brincar.

Fiquei ali mais uns minutos olhando seu desenho e pensando na lista que eu poderia fazer. Será que encontraria todos os antídotos?

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* Paula Saretta é psicóloga. Doutora em Educação pela Unicamp. Mestre em Psicologia Escolar pela PUC-Campinas. Aperfeiçoada em Queixa Escolar pela USP. Formadora de professores e Consultora em Psicologia e Educação. Fundadora do site/blog Ouvindo Crianças.

  • Sonia

    Oi Paulinhaaa!! Crescemos e ao que me parece depois da maternidade os medos são outros, mas nem por isso devemos nos deixar vencer por eles. Hoje meu filho tem 18 anos, e uns dos antídoto usamos é o velho e sábio diálogo. Devo dizer que aprendo muito todos os dias com meu filho, meu companheiro, minha vida!! Mães como eu, conversem com seus filhos e lembrem sempre ” O que vale é a qualidade e não a QUANTIDADE!!! Obrigada!! Bjos.