Dicas de livros infantis

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Amor de pai

2 agosto, 2013, Paula Saretta Dicas de livros infantis 13


Amor de pai

POR Paula Saretta*

Muitas mães em defesa de seu título de “insubstituíveis”, orgulham-se em dizer: “mãe é mãe, os pais não sabem como é”. Não concordo. A relação entre pai e filho também pode ser tão intensa e cheia de afeto quanto mães e filhos. Mas, para isso, muitos fatores estão envolvidos, inclusive o espaço que as mães permitem (no sentido emocional) que os pais, de fato, assumam sua paternidade. Vocês já pararam para pensar nisso? Muitas mães queixam-se do acúmulo de tarefas, mas têm muita dificuldade de delegar, de dividir, de compartilhar. É como se tivessem um certo orgulho do colo cedido ao filho que só “quer saber da mãe”.

Mas é tão bom o amor de pai. É tão bom! Por isso que, desta vez, resolvi também falar como filha. Resolvi falar de um lugar que me traz alegria, de um lugar privilegiado de amor. Meu pai, mesmo sendo um homem que trabalhou a vida toda, teve e tem uma participação intensa na minha vida. Participação que sempre foi fundamental para minha constituição, para ser quem sou. Meu pai não é perfeito, mas para mim ele tem a melhor das qualidades, é uma pessoa que sempre me deu exemplo de honestidade, de dignidade, de moralidade. Ele sempre me respeitou como sou. Sempre esteve e está ali, do meu lado, quando mais precisei e quando mais preciso. Talvez ele nem tenha consciência do bem que ele me faz. Talvez tenha sim. Nosso amor é infinito. Nem sempre expressado por palavras, às vezes com bilhetes de “boa noite” e “saudades”, às vezes se esforçando para ficar acordado, depois de um dia de trabalho intenso, só para estar junto… E tantas vezes disfarçado de “pai bem resolvido com os filhos já crescidos”, mesmo sabendo que por ele, o tempo voltaria e os filhos estariam ali, esperando ele voltar do trabalho, loucos para pular em seu colo num delicioso abraço de filho saudoso. Falar do meu pai me emociona muito, enquanto escrevo sobre ele, para ele.

Assim como dois livros sobre as formas de expressão do amor de pais para filhos (já mencionados em post anterior). Um dos livros que trata lindamente dessa relação, chama-se “O homem que amava caixas” (editado pela Brinque-book no Brasil), do autor Stephen Michael King. O livro conta a história de um pai que tinha dificuldade de dizer ao filho que o amava e, por isso, resolve fazer diferentes objetos com caixas de papelão.

“O homem tinha dificuldade em dizer ao filho que o amava; então, com suas caixas, ele começou a construir coisas para seu filho. Ele era perito em fazer castelos e seus aviões sempre voavam…”.

Trecho do livro “O homem que amava caixas” –Stephen Michael King

O outro é um livro maravilhoso também, chamado “Adivinha o quanto te amo” (do Sam McBratney, editado pela Martins Fontes no Brasil), de dois coelhos, o pai e o filho, que vão declarando seu amor em forma de gestos, como se estivessem disputando. No final do livro, depois de já terem passado por várias tentativas de demonstrações de amor, o filho, cansado e sem mais alternativas, diz ao pai: “eu te amo até a lua!”. O pai o coloca para dormir e age como se o filho tivesse ganhado a disputa. Mas, logo em seguida, sussurra sorrindo: “eu te amo até a lua… ida e volta!”.

Amor de pai é um amor “diferente”. Amor de pai, muitas vezes, é dito por gestos, pelo olhar, pelas atitudes… Às vezes é preciso ler nas entrelinhas. Mas como todo amor não é preciso mesmo ser dito, sentir já basta.

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* Paula Saretta é psicóloga. Doutora em Educação pela Unicamp. Mestre em Psicologia Escolar pela PUC-Campinas. Aperfeiçoada em Queixa Escolar pela USP. Formadora de professores e Consultora em Psicologia e Educação. Fundadora do site/blog Ouvindo Crianças.

  • Carol

    Lindo, amiga… Amor de pai é mesmo um amor “diferente”, mas tããão necessário!!! Aqui em casa ele é regado por mais liberdade, mais aventuras, mais flexibilidade e, por que não, mais cosquinhas e gargalhadas! É também um amor que nos ajuda (nós, mães!) a perceber que os filhos são muito mais competentes e autônomos do que pensávamos!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Que lindo, amiga! Sei que na sua casa existe uma relação muito linda e intensa entre pais e filhos! Vocês são uma grande inspiração e exemplo para todos nós! beijo grande

  • dina saretta

    Pa, como mae ,admiro e orgulho-me da maneira que ama e respeita seu pai!!!!!!!!!!!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Obrigada, mãe! Certamente isso também tem a ver com você, com o espaço que você sempre permitiu que ele assumisse como pai. Obrigada também por isso! beijos, amo vocês!

  • DANY

    Lindo Paulinha!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Dany, obrigada querida! bjs

  • Sarah

    Lindo! Muito lindo!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Muito obrigada, Sarah! beijos

  • Thais

    Que lindo Paula!!! Que saudade do meu Pai!!!Beijo, Thais.

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Obrigada, querida! beijo grande

  • Sonia

    Que Lindo o que li aqui!! Que relação linda de filha e pai.
    Não tenho comigo mais meus pais, mas ele permanece sempre em mim e eu nele. Se sou o que sou hoje devo à eles. Parabéns ao seu pai e á você que nos alegra sempre com textos super maravilhosos que nos faz crescer e refletir sempre. Bjão!!

    • http://ouvindocriancas.com.br Paula Saretta

      Obrigada minha querida Sônia! Você também me alegra muito com suas palavras sempre tão carinhosas. beijo grande